21:30 - Eu olho para minhas mãos e não as reconheço. Tudo nesse terrível lugar me faz questionar a realidade. Nesse exato momento, sinto como se meu próprio espírito estivesse lutando para deixar o meu corpo a qualquer custo. Há algo nesse parque que me deixa completamente impotente. Eu sei que deveria estar zelando pela ordem, mas o que um guarda florestal pode fazer em relação a forças desconhecidas?
Constantemente,
tenho a impressão de que inúmeros olhares se escondem nas sombras. É como se predadores estivessem
vasculhando minha alma e esperando pelo momento mais oportuno de cravar suas
presas em mim.
Meu
Deus! Pareço um louco escrevendo nesse pedaço de papel. Mas é tudo o que
consigo fazer para amenizar essa angústia solitária que me deixa completamente
vulnerável.
Do alto da torre de patrulha, consigo observar todo o parque e não vejo qualquer coisa se aproximando. Ainda assim, sinto a aterrorizante presença. O pente de minha Glock está repleto de balas, mas não tenho certeza de que isso vá servir de algo.
Céus!
Eu deveria abandonar esse lugar. Eu sabia que não era uma boa ideia no momento
em que pus os olhos nessas imensas sequoias. Claro que são belíssimos
exemplares da natureza, se observadas durante o dia. No entanto, durante a
noite, as grandes árvores parecem servir de muralhas para os verdadeiros
inimigos.
Eu
não sei o que eles são e o que estão esperando. Só sei que queria dar o fora
daqui o quanto antes. Mas penso na minha garotinha Sara que, a essa hora, deve estar dormindo tranquilamente em
sua pequena cama. Penso em minha esposa, se esforçando para manter seus dois empregos e para cuidar de nossa filha. Nossa situação financeira é delicada. Não posso simplesmente largar
esse emprego sem que tenha outra oportunidade em vista. Infelizmente, esse não é um
privilégio de que possa desfrutar. Estou tentando não pirar. Luto com todas as
energias para manter a sanidade, mas estou mental e fisicamente exausto.
O
contrato diz que eu devo patrulhar um raio de 2 quilômetros, mas estou
completamente paralisado aqui em cima. Eu tentei contatar os outros guardas
pelo rádio, mas não tive qualquer resposta. Aliás, fazem duas horas que não
ouço qualquer ruído a não ser o de minha própria respiração. Nem mesmo os
animais noturnos parecem dispostos a fazer qualquer coisa que chame
atenção.
Eu
estava caminhando pela trilha, no início da noite. Vasculhei toda a área pela
qual sou responsável, mas foi no momento em que estava voltando para a torre
que senti a sufocante presença. Imediatamente, saquei minha arma e a apontei
junto com a lanterna para os lados. A copa de uma única sequoia se movimentava
freneticamente, enquanto as outras permaneciam estáticas. As aves noturnas
alçaram voo para longe dali. Senti uma respiração ao pé de meu ouvido e me
virei para trás, assustado. Não havia nada. Meu coração disparou e eu pude
sentir cada batida como se fosse uma sentença. Observei a sequoia com atenção e
vi um vulto negro pulando para a copa de outra árvore, e depois para outra, e
depois para outra. Corri em disparada pela trilha, em direção à torre de
patrulha. Percebi que o vulto seguia paralelo a mim, usando as grandes árvores.
De repente, lançou-se para baixo e sumiu de vista. Eu subi a comprida escada de
madeira da torre e tranquei a porta.
Caramba,
estou suando frio! Eu sei que talvez não tenha sido a melhor opção me
trancar nesse lugar. Quero dizer, não é como se eu pudesse escapar daqui, caso
alguma coisa viesse por baixo. Essa torre tem 40 metros de altura! Eu teria uma chance melhor se estivesse lá embaixo, mas não tenho coragem suficiente para
descer. Será que uma oração ajudaria? Não sei se Deus poderia fazer alguma
coisa por mim nesse momento.
5 comentários:
wendigo?
wendigo ou slender?
Boa, mano! Tava demorando pra escrever alguma coisa!
Me avise quando tiver novos capítulos!
Abraço, meu velho!
Intrigante, parabéns! Estou curiosa pela continuação.
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